RAÇA VIL
Poesia: Sebastião Regino Avelino Filho
Sou louco por você,
mas sua indiferença
me revolta tanto
que voltei ao mundo – da sanidade.
Coloquei um pouco de verdade no real,
cuspi na face lavada da ilusão,
lavei minha alma impura das mãos
manchadas de sangue – dos homens sem esperança.
Mas você me revolta tanto,
me faz tão insignificante em sua vida,
que deixei de amar os verdes das campinas.
Pactuei! – perdi.
Cansei,
desisti – fogo fere.
Persisti! – morri
Fogo serve.
Podei a flor agreste do campo,
agora sou um ser vazio, solidão.
Sentado na pedra da lembrança,
Macunaíma sem esperança,
Poesia morta dos campos devastados,
onde crianças
brincam de guerra,
vivem na guerra,
morrem na guerra,
como indiferentes seres
de uma raça servil.
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