₪ Um fato histórico, envolvendo Portugal e Espanha, determinou o surgimento de um vilarejo ao norte da vila de São Paulo, de nome Atibaia.
₪ Em 1580, por razões sucessórias, a colônia do Brasil e Portugal passaram a ser governados pelo rei da Espanha. Dessa fusão política nasceu a União Ibérica.
₪ Em conseqüência, os descendentes de espanhóis, liderados pelos Camargos e Buenos, dominaram a vida política de São Paulo, com o total apoio da Coroa Espanhola,.
₪ A situação reverteu-se. A restauração do trono português ocorreu em 1640, instalando-se a casa dos Braganças. . O poder político retornou às mãos dos Pires, eternos aliados da Coroa Portuguesa.
₪ Aconteceu o inevitável: os Pires e os Camargos entraram em luta. O conflito perdurou por cem anos. (Essas famílias dedicavam-se à plantação de trigo e os interesses comerciais também se contrapunham).
₪ Daí, Jerônimo de Camargo, vereador paulistano no exercício do poderoso cargo de Juiz Ordinário, liderou uma rebelião contra o jugo português.
₪ O movimento de ideal separatista aclamou Amador Bueno rei de São Paulo. O povo saiu às ruas para saldar o novo monarca, que, todavia, declinou, com receio de não ter força de sustentação.
₪ O fracasso da intentona obrigou Jerônimo de Camargo a abandonar São Paulo. Em 1563 embrenhou-se mata à dentro, instalando-se numa colina, hoje centro histórico de Atibaia.
₪ Jerônimo de Camargo temia a perseguição da Coroa Portuguesa , acostumada a tratar os rebeldes do Brasil e África com extrema violência.
₪ A área escolhida por Jerônimo de Camargo para se exilar revela preocupações de segurança. O relevo e os acidentes geográficos são semelhantes ao do pátio do Colégio, local indicado por Tibiriçá para proteger o padre Anchieta dos ataques inimigos.
₪ Parentes e correligionários acompanharam Jerônimo de Camargo, dando início à um agrupamento de pessoas, que se dedicaram à criação de animais de pequeno porte e, ainda, à plantação de trigo, na área ocupada pelos bairros do Alvinópolis e Caetetuba.
₪ Em 1665, a Câmara de São Paulo autoriza o padre licenciado Mateus Nunes de Siqueira, a deslocar índios aprisionados para um lugar próximo ao povoado recém formado pelos s Camargos e Buenos. O padre Mateus guardava fidelidade ao rei de Portugal e aos Pires. O padre integrou a Vara Eclesiástica, que julgava os crimes praticados contra a religião (Santo Ofício).
₪ O padre Mateus Nunes de Siqueira, ao verificar que Jerônimo de Camargo abandonara a luta pela independência de São Paulo, informou o fato às autoridades e negociou os índios escravizados.
₪ A hegemonia dos Camargos e Buenos em solo atibaiense, através dos séculos, fez de Jerônimo de Camargo, o fundador oficial do burgo, na data de 24 de junho e 1665, dia consagrado a São João Batista. A família Nunes, sem qualquer vínculo com Atibaia, reivindica o pioneirismo para o padre licenciado Mateus Nunes de Siqueira, sem êxito. (Bragança Paulista acontece 100(cem) anos depois.
₪ Os europeus conheciam e apreciavam a água alcalina. Os índios a detestavam. Para o colonizador Atibaia significa “água agradável ao paladar”. Para os indígenas “ água de gosto desagradável”, versão prevalecente.
₪ A febre do ouro e a busca de pedras preciosas deu força demográfica e desenvolvimento ao local, que se tornou ponto de referência e pousada dos desbravadores aventureiros. Tratava-se de um cruzamento de rotas, eternizado pelas rodovias Fernão Dias e Pedro I.
₪ Atibaia sempre elegeu vereadores à Câmara de São Paulo, cidade que integrava na condição de bairro. A tarefa dos edis era a de manter em boas condições os caminhos entre São Paulo e Atibaia. Uma viagem durava em média 3 dias. Por isso, nos primeiros tempos, a história de Atibaia se confunde com a de São Paulo..
₪ A autonomia de Atibaia aconteceu em 1769, quando da instalação do Pelourinho, símbolo do Poder português. (Existe uma réplica exposta na parede da casa paroquial, nas proximidades da igreja Matriz). Então, a vila passou a ter governo próprio, comandado pela Câmara medieval, segundo o modelo das Ordenações Filipinas.
₪ O Jerônimo de Camargo, num ato sincero, tentara a independência de São Paulo a quinze quilômetros do riacho do Ipiranga, cujas margens ouviu o grito de “Independência ou Morte” de D. Pedro I (1822). Na oportunidade o povo atibaiense reuniu-se na praça da Matriz para festejar o imperador. Na verdade, a mudança política nada mudou por aqui.
₪ Atibaia também comemorou a abolição da escravatura e a proclamação da República pelo Marechal de Ferro Deodoro da Fonseca, quando se implantou-se a tripartição dos poderes: executivo, legislativo e judiciário. Surge o cargo público de presidente do Conselho de Intendência, posteriormente designado intendente municipal e, finamente, prefeito.
₪ O primeiro prefeito de Atibaia, no cargo de presidente do Conselho de Intendência, no período de transição entre o Império e a República, foi o libertário Olímpio da Paixão. Curiosamente, nada consta nas galerias oficias da história política do município. Nem foto, nem referência.
₪ Na passagem do século dezenove para o vinte, assumiu a intendência municipal o major Juvenal Alvim, descendente direto de Jerônimo Camargo.
₪ Na primeira metade do século passado surgiram: a estrada São Paulo-Bragança Paulista (SP-8) de chão batido, a usina hidroelétrica, o Cine Theatro República, a indústria têxtil (base de toda economia do município), o curso ginasial, o calçamento das ruas, a biblioteca, os loteamento e outros equipamentos urbanos.
₪ Na segunda metade, com o advento das rodovias Fernão Dias e Dom Pedro I, constata-se um crescimento demográfico acima do vegetativo.. Ocorreu um salto de 30.000 para 120.000 habitantes. A Cia. Têxtil Brasileira (CTB) encerra as suas atividades. Verifica-se um estrangulamento em todos os setores da vida em sociedade, motivado, principalmente, pelo uso inadequado do solo (defensivos agrícolas e excesso de loteamentos).
| O HOMEM BOM E O HOMEM MAL ROGERIO BERBERO |
| PRIMAVERA Luiz Carlos Netto Chamadoira |
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