ALÔ, BRASIL
O mundo vive hoje uma conturbação coletiva e muitos na busca de sobrevivência instigam ao máximo a competição desrespeitando as normas que regem os sistemas sociais. Enroscada nas malhas da indignação ao vê-los atrelados a uma visão maia, que humaniza máquinas e “coisifica” pessoas, conter a animosidade é quase impossível.
Falando em termos de Brasil, investe-se muito em projetos sobre qualidade de vida que visam à melhoria do processo de desenvolvimento; nesse sentido, interação e entre-ajuda são fatores altamente relevantes para o crescimento qualitativo nos circuitos social e profissional. Assim, a meu ver, administrar qualidade é avaliar competências e predisposições sem julgar pelo “pico do saber”, e administrar vidas humanas é de competência pessoal e intransferível. No entanto, isso deixa a desejar por parte dos que vivendo ou não um conforto hierárquico, desconsideram o fato de que os “elementos” são pessoas e não “designers”.
Nosso sistema vive a transição do simboloferismo à prática do PGQ (Plano de Gestão de Qualidade) num moderno conceito de gerência, na tentativa de homogeneizar as consciências para o êxito do produto final, e mesmo levando-se em consideração de que trilhamos pelas vias do “ensaio e erro”, não se justificam atitudes tais como exercício superlativo do poder, ignomínias, desrespeitos, etc.
Quem acreditou no “vir-a-ser” acabou se transformando num lídimo “profissional on the rocks” e não há que se falar em “pôr a cabeça a prêmio” por alguém porque vivemos um “salve-se quem puder” e cada um deve administrar sua própria “sozinhez”, disciplinando o trânsito mental para evitar colisões psicológicas. Complica um pouco mais o fato de nossa consciência profissional e social ser avaliada apenas pelo corpo físico e mental, quando é o espiritual que estimula o todo.
Quanto aos aposentáveis e/ou aposentados, tenho a sensação de que após terem investido anos de suas vidas na composição histórica do país, suas experiências e esforços nada mais foram do que uma bebida de boa safra contida em vasilhames descartáveis da qual todos beberam até a última gota. O tempo que ficaram se preparando para um “Happy end”, em virtude dos contratempos, teve sua contagem apenas cronológica.
Afinal, vivemos numa sociedade consumista e competitiva – embora as competições sejam sempre fingindo que não são – e os adeptos da “religião do ouro” ignorando seus próprios mecanismos de projeção e recorrência, acreditam um dia lograr a felicidade.
Nunca vi um país com tantos donos, basta subir num tijolinho e já querem fazer discurso. Enfim, não é a rosa que tem espinhos, mas os espinhos que a têm.
O que se segue tem endereço certo. Uns atiradores de flecha que agem de forma arbitrária e hitlerista fazendo com que o povo se queime num forninho como num holocausto. É pena que Schindler não esteja aqui para compor nova lista. Os atiradores flecham e, por questões políticas, dizem que foi o arco que atirou errado e para justificar a pseudo-imperícia do arco, o alvo deveria ter uma visão abrangente e num ângulo de 360 graus, um painel de controle por computador, um aparelho de raio x e, por acréscimo, um aparelho capaz de prever o imprevisto para que o alvo não seja tripudiado pelo opressor que contraiu o vírus do poder-soropositivo.
Há casos em que a flecha acerta o coração e repercute no bolso. Até quando, meu Deus, teremos que pagar também com moeda corrente, o preço da nossa moral e da nossa dignidade? Se eu não filtrar as palavras presas na garganta, com certeza elas sairão pela boca como pedras brutas e se após tantos anos no exercício da cidadania não recebi uma coroa de louros, por essas pedras brutas certamente receberia uma de espinhos. Os atiradores ainda não perceberam que o Brasil é feito de natureza e não de lona.
Esse comportamento contrário às pregações sobre “Qualidade de Vida”, parte sempre de uma minoria de pessoas que têm no lugar do cérebro uma caixa registradora e o coração vendido para transplante, males estes que contaminam a grande massa deste Brasil “herói cobrado”.
Qualidade de vida ou qualidade devida? Espero que o meu grito tenha repercussão nos bastidores do poder.
O que somos? Ícaros suburbanos ou Heróis da Resistência?
Jargão de cibernética social que significa nível de idéias.
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